Provavelmente , qualquer pessoa sabe, ao menos intuitivamente, o significado do termo biosfera. Significa a reunião de todas as partes da Terra passível de abrigar vida.
Imagine, por analogia, o termo infosfera. Significa todas as formas de comunicações entre seres vivo ou, em sentido mais restrito, entre seres humanos.
Pois infosfera representa conceito fundamental no pensamento de Luciano Floridi, filósofo italiano da Universidade de Oxford (Inglaterra) voltado para estudos fundacionais na Filosofia e Ética da Informação.
Floridi elaborou um modelo conceitual sobre a constituição cognitiva do sujeito contemporâneo (Information Technologies and the Tragedy of the Good Will, disponível em www.philosophyofinformation.net). Nele, configuram-se três dimensões que interagem para determinar as maneiras como nossas vidas se desenvolvem e transcorrem.
Partindo da percepção empírica que nossa época funda-se essencialmente na troca constante de informações entre agentes (informação escrita, informação visual, informação auditiva, informação virtual, etc), Floridi concebe o sujeito moderno como agente moral que, de posse de informações complexas, guia sua vida por decisões que procuram, em cada dado momento, evitar alternativas consideradas moralmente inválidas ou potencialmente prejudiciais.
As três dimensões constitutivas do sujeito situam-se na apropriação de informações (quaisquer que sejam), na geração de informações (a partir das apropriadas) e na disseminação dessas informações de modo apto a moldarem ou transformarem o ambiente social em que ocorrem. A infosfera é a dimensão da vida em que as trocas de informações acontecem.
Tal concepção tem profundas implicações sobre determinadas maneiras de caracterização do que seja o cidadão. Ao conceber a pessoa como “agente moral”, assume implicitamente a capacidade deste (autonomia) em determinar o que é bom e o que é o mal em suas decisões cotidianas. Também perde significado a tutela assistencialista presente em muitas políticas públicas que, de forma deliberada ou não, julgam o cidadão como incapaz de autodeterminar suas opções de vida. Em contrapartida, realça-se a obrigação do Estado disponibilizar oportunidades de educação de qualidade, de modo a garantir a não-ocorrência das disparidades no bem-estar social.
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